sinto no meu corpo trêmulo a dor de amar você

sinto no meu corpo trêmulo a dor de amar você
o vazio onde antes tinha o seu afeto
acho que você mudou, uma versão que não tenho mais acesso
porque eu estou igual, todos os erros ecoando infinitamente
só o que não mudou foi esse amor que me rasga
agora você encontrou outra pessoa, eu vi as fotos, você parecia tão feliz
nos nossos último momentos, não tinha mais aquele brilho nos seus olhos, aquele brilho que agora é dela
acho que você continuou comigo por tanto tempo por mero costume
eu era o seu objeto, que fazia tudo que você pedia, tão inteligente quanto um cachorro
eu respirava você, tão patética. então entendo você ter me deixado
eu era a sombra de uma sombra de uma sombra
eu tinha pouco ou quase nada de bom a oferecer
não é uma lamentação, embora pareça. é uma constatação
eu não sou eu há muito tempo. eu nem sei quem sou. por isso me agarrava tanto a você, eu era uma namorada
era receptáculo de um amor. eu vivia por suas conquistas. eu vivia pela sua felicidade. isso me sustentava
agora esse ser ávido em meu peito não sabe o que vai devorar. então ele me devora
me devora até sobrar apenas os ossos, que eu junto numa pilha e carrego comigo
pois apesar de tudo, eu ainda estou viva, eu ainda respiro, eu ainda preciso continuar
sem você
sem mim
reconstruindo o meu esqueleto, a minha carne, a minha mente, o meu corpo
um corpo destruído, cicatrizado, desprezado, mas que me pertence, é só o que me resta
então eu quebro tudo o que já fui (e não fui) 
e tento recomeçar

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