você não me ama, estou sozinha
o mundo é uma tela fria
dos seus desejos e sonhos
assombrada pelo meu próprio fantasma
os sentimentos trancados, sinto o nada
preenchendo o ar dos meus pulmões
cobri o espelho para não encarar a sua decepção
a alma sofrida, o coração na mão
as cartas não entregues com todas as minhas promessas
joguei meu corpo do precipício jurando que não ia quebrar
mas no fundo eu já sabia, e queria que machucasse
assim eu poderia me enrolar num cobertor de dor
assim eu poderia me esconder da vida
da necessidade de me conhecer tão profundamente
da necessidade de me amar, me proteger, me fortalecer
e de entender que falhei
falhei centenas de vezes, falhei de propósito, falhei até tudo ruir
e agora não há onde segurar, pois criei um inimigo dentro do meu sangue
você odeia o que nos tornamos
não há mais ternura em seus gestos, não há braços para acalentar
não há a alegria genuína pelas pequenas coisas, o prazer em ser, apenas ser, sem medo
sou o monstro que destruiu a cidade, o pesadelo que dura noites e noites, a culpa como espadas lancinantes
mas aqui estou, à espera do seu perdão
da minha salvação
me leve para onde nos perdi
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