quando o véu sobre meus olhos foi rasgado, aos meus pés o seu pedestal estava arruinado
não havia mais o deus que eu adorava, para quem eu me ajoelhava e fazia preces desesperadas
havia apenas um homem
um homem com alguns defeitos e muitas qualidades, mas um homem
não havia mais o deus que eu adorava, para quem eu me ajoelhava e fazia preces desesperadas
havia apenas um homem
um homem com alguns defeitos e muitas qualidades, mas um homem
alguém feito de carne, de raiva, de alegria, de sonhos, tristezas, medos, necessidades
um homem que tem uma vida independente, que entra no carro e vai trabalhar todos os dias
não a estátua de ferro, inerte, que eu acariciava e esperava que resolvesse todos os problemas, que aceitasse a minha presença constante e sufocante, que me salvasse das águas da vida porque eu não sabia nadar
não, você sempre foi um homem, com os próprios problemas e o próprio mar para navegar
um homem com os olhos tão cheios de alguma coisa que nunca poderei entender
porque eu nunca quis te conhecer
eu sempre quis um ser para venerar, um sol para orbitar, embebida pela sua graça
eu nunca quis um homem. um homem é tão falho. assim como eu sou falha
mas eis aqui você, este mistério, para desvendar ou proteger
não há segurança em seus braços, mas há braços que abraçam de volta
há olhos que veem, ouvidos que ouvem, lábios que respondem
há essa respiração forte e o som de um coração que bate suave, como uma canção reconfortante
no fim, foi preciso demolir o que era deus para amar inteiramente o homem
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